segunda-feira, 25 de abril de 2011

Professor Nildo: Diga não ao desarmamento

Como sempre o Professor Nildo nos agracia com seus escritos e é o maior colaborador do nosso blog, sem palavras para agradecer grande Mestre...abraços.


Diga Não ao Desarmamento


É cada vez mais notório o desejo de cercear as liberdades individuais nesse País. A liberdade é o maior direito que se possa ter em um estado democrático. No entanto, querem nos tirar, com a promessa de dias melhores, sem violência e sem criminalidade. Querem tirar o direito de o cidadão comprar legalmente uma arma. Eles só esqueceram de dizer que pretendem desarmar apenas o cidadão de bem, pois os criminosos, os delinqüentes, os psicopatas, os políticos, as autoridades policiais e os seguranças particulares, todos esses continuaram armados, enquanto  que o cidadão comum, aquele que  trabalha decentemente, honrando seus deves e obrigações, e no entanto não pode contar com a segurança do Estado, porque o mesmo é ineficaz e incompetente. Esse cidadão não poderá jamais comprar uma arma para o uso de sua própria segurança, esse cidadão estará totalmente desprotegido, e será uma vítima muito fácil de bandidos e criminosos. De acordo com Cesare Beccaria:

Essas leis apenas servem para aumentar os assassínios, colocam o cidadão indefeso aos golpes do criminoso, que fere mais audaciosamente um homem sem armas; favorem o bandido que ataca, em detrimento do homem honesto que é atacado.´´( BECCARIA, 2009 PG.95)


            As palavras de Beccaria são bastante categóricas em relação às leis que tem por objetivo sacrificar o direito do cidadão possuir uma arma. Apartir do momento que o delinqüente tiver a certeza absoluta que o cidadão se encontra totalmente desarmado, ele não terá mais medo de invadir a residência de nenhum cidadão, e com isso nada poderá fazer o individuo que tiver sua casa ou mesmo tiver sendo agredido por um marginal. O Estado brasileiro pretende nos tornar reféns de bandidos cruéis, e o que é pior é que não podemos ter seque o direito de nos defender.
           Em 2005, durante o desgoverno do Senhor Lula, tivemos um plebiscito nacional, com a seguinte pergunta.´´ Você é Contra ou é a Favor  do comércio de armas e munições no Brasil? O eleitor foi convocado a comparecer as urnas para votar sim ou não, felizmente o não ganhou de forma esmagadora, foram cerca de sessenta e cinco milhões de votos de pessoas que disseram não ao governo populista do Lula. Com essa votação, o projeto de proibir armas no País, foi arquivado, e não se falou mais no assunto, mesmo porque foi uma derrota vergonhosa para o governo que ansiava em tirar direitos dos cidadãos.
          Apartir desse momento, todos os cidadãos de bem, passaram a acreditar que esse assunto fosse encerrado para sempre no País. Até que poderiam ser encerradas, se vivêssemos num País que respeita as decisões de seus cidadãos, no entanto, aqui não se respeita decisões soberanas. Os nossos legisladores vivem de modismo, como são os mais despreparados do mundo, eles não tem ideais para colocar em prática em benefícios da Nação, então todos ficam esperando acontecer alguma tragédia muito grande, onde a mídia faça uma comoção nacional, aí os nobres legisladores entram em sena, para resolver os problemas? Não, entram simplesmente para aparecer na televisão, e como não tem planejamento de País, as suas primeiras atitudes são as leis que sacrificam os direitos individuais, direitos que são imprescindíveis nas democracias. 
            No dia sete de abril de 2011 ocorreu uma tragédia na cidade do Rio de Janeiro. Cerca de doze crianças foram mortas por um rapaz conhecido pelo nome de Wellington Menezes de Oliveira. Esse rapaz possuía uma série de distúrbios psiquiátricos, o mesmo era ex - aluno da escola na qual ele cometeu assassinatos em série. Esse é aquele tipo de caso que é uma grande exceção, ou seja, é muito difícil de acontecer novamente nas mesmas proporções. Logo após essa terrível tragédia, o nosso inteligentíssimo Senado Federal, na pessoa do presidente da casa, senador Sarney, junto com o ministro da justiça e outras lideranças do governo, decidem que o País vai passar por um novo plebiscito sobre o Desarmamento.
          Vejamos o seguinte, o assassino Wellington Menezes de Oliveira, não possuía porte de Arma, ou seja, os seus dois revolver tinha sido comprado no mercado ilegal, ou seja, essa tragédia ocorreu não foi porque existe um comércio legal de armas, isso é muita hipocrisia e demagogia. O governo não consegue explicar e muito menos resolver as contradições sociais do País, então tenta buscar soluções mais rápidas e fáceis, que é a proibição. O que é necessário fazer é a vigilância das fronteiras, para coibi a entrada de entorpecentes e armas no País, mas isso as autoridades não fazem, mas querem proibir um comércio legal, isso é um autoritarismo levado ao extremo, hoje nos tira o direito de portar legalmente uma arma, amanha nos tira o direito de ter nossa casa e nossa propriedade, ou até mesmo o direito a vida, devemos nos preparar para combater os abusos desse governo.
           O Brasil possui cerca de duzentos milhões de habitantes, e durante o ano registra cerca de 50 mil homicídios, enquanto que nos Estados Unidos, o País, tem cerca de trezentos milhões de habitantes, no entanto, registra ao ano 15 mil homicídios, mesmo sendo uma nação onde se compra arma facilmente. Esses dados mostram claramente que não é proibir a venda de arma que vai diminuir a criminalidade, mesmo porque no Brasil, a burocracia para se comprar uma arma, é simplesmente absurda e retrograda. Mesmo assim, a criminalidade é altíssima, diferente dos Estados Unidos, onde a compra de uma arma é bastante simples, e a criminalidade é bem menor.
          O governo pretende deixar o povo brasileiro totalmente inseguro. Já não temos a segurança do Estado que deveríamos ter, e quando tem é extremamente precária, em alguns lugares sequer existe algo que possamos chamar de segurança, e a população de maneira geral desconfia das autoridades policiais, ou seja, o sistema de segurança pública do País se encontra falido, e sem créditos do povo. Com a proposta do governo o cidadão ficará completamente desarmado, mas o Estado continua forte e bem armado. Hoje desarma o povo, prometendo a eles recompensas mirabolantes, amanha, o Estado extermina todos os seus dissidentes, que não tendo armas para se defender, se tornaram presas muito fácies na mão pesada e armada do Estado.
          Observemos agora um pouco sobre a história do desarmamento no mundo. Em vários momentos da História, o desarmamento civil teve por objetivo implantar um regime de força contra o Estado Democrático de Direito, á exemplo de 1929 na União Soviética, em que houve o desarmamento da população ordeira. De 1929 a 1953, cerca de 20 milhões de camponeses e dissidentes, impossibilitados de se defender, foram caçados e exterminados impiedosamente.
        Em 1911, a Turquia desarmou a população ordeira. De 1915  a 1917, um milhão de armênios impossibilitados de se defender, foram caçados e exterminados. Em 1938,  a Alemanha desarmou a população ordeira. De  1939 a 1945, 13 milhões de judeus, dissidentes e outros “ não arianos “, impossibilitados de se defender, foram caçados e exterminados. Em 1935 a China desarmou a população ordeira. De 1948 a 1952, 20 milhões de dissidentes, impossibilitados de se defender, foram caçados exterminados.Em 1970, Uganda desarmou a população ordeira. De 1971 a 1979, 300 mil cristãos, impossibilitados de se defender, foram caçados e exterminados. Em 1975, o Camboja desarmou a população ordeira. De 1975 a 1977, um milhão de cidadãos foram caçados e exterminados. Foram mais de 55 milhões de cidadãos indefesos caçados e exterminados no século XX, após o desarmamento da sociedade civil nesses países.
          O desarmamento civil, como combate à violência, não passa de uma mentira imposta à sociedade, é uma confissão de incompetência do Estado Brasileiro no combate a crescente criminalidade que atormenta a população ordeira e destrói as famílias, impede os investimentos e a geração de empregos, incentiva o crime organizado e atende escusos.
        Temos uma Experiência Recente de Desarmamento na Inglaterra e Austrália e o Estrondoso Fracasso. Na Inglaterra, em 1997, após vinte anos de restrições crescentes ao porte e venda de armas, todo o comércio e porte foram considerados ilegais; logo em seguida, em 2002, foi o quarto ano consecutivo de aumento de crimes provocados por arma de fogo com aumento de 35% em relação à 2001. Na Austrália, em 1997, foram criadas restrições à posse de arma, foram gastos US$ 500 milhões com confisco e destruição de armas, o resultado foi que os níveis de homicídios, agressões e roubos cresceram significativamente. Portanto, é um equívoco associar criminalidade e violência com a supressão do direito inalienável de defesa do cidadão, impedindo a possibilidade de que adquira arma para defender a própria vida e de familiares. Segundo Beccaria ´´
as leis que proíbem o porte de armas, apenas desarmam o cidadão pacífico, enquanto que deixam a arma nas mãos do criminoso, muito habituado a violar as convenções mais sagradas para respeitar aquelas que são arbitrárias.Além disso, tais convenções são de pouca importância; pouco perigo existe em infringi – lá se, por outro lado, se as leis que destruiriam a liberdade pessoal, tão necessária ao homem..... ( BECCARIA 2009, PG 95).


              Novamente Beccaria nos abrilhanta com seus comentários a respeito das liberdades individuais, tão necessária para que possamos construir uma sociedade mais justa e digna. É preciso ter muita cautela com esses projetos que pretendem sacrificar as liberdades em nome de um futuro melhor, futuro esse que é desconhecido, e que a história tem nos mostrado uma realidade bastante diferente das idéias que o governo vem pregando em seus discursos. O desarmamento em vários Países contribuiu para o aumento da violência, e não ao contrário como afirma o governo brasileiro. Portanto, desarmar a população é um ato de covardia e imbecilidade, devemos ser totalmente contra essa pretensão do Estado brasileiro.







                                       Josenildo Santos Rodrigues
                                        E – Mail:nildorodrigues86@hotmail.com
                                        Rondonópolis – MT ( Dia 14/04/11)

sábado, 16 de abril de 2011

O tempo é relativo


"O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda a parte."
(Albert Einstein)



Devido a nossa vivência em um lugar onde as velocidades são baixas se comparadas com a da luz, temos a impressão de que o tempo é absoluto e flui constantemente sem sofrer nenhuma interferência de outras grandezas. Bem, isso é natural, o grande e talvez incomparável gênio Isaac Newton estabeleceu que o tempo é algo imutável e absoluto, idéia que foi abraçada por todos e ainda hoje o é por muitos, nessa concepção o tempo sempre passa da mesma forma, ele nunca passará mais rapidamente ou mais lentamente. Você poderia argumentar, assim como Newton, que isso é óbvio, pois durante toda a sua vida não percebeu qualquer alteração da velocidade com que o tempo flui. Isso parece ser o mais razóavel, pois é baseado na experiência cotidiana e nunca falhou até agora, porém para Einstein a idéia de um tempo absoluto não fazia sentido, caso se considerasse a constância da velocidade da luz, diante disso ao formular a célebre Teoria da Relatividade Restrita, ele nos traz a tona uma verdade incoveniente: o tempo é relativo. Mas como? Você deve-se perguntar..... veremos a seguir como pode-se chegar a isso.
Einstein estabelece que tudo é relativo, com exceção de 2 coisas: as leis da física e a velocidade da luz, com isso ele acaba com os referenciais privilegiados, qualquer que seja o referencial adotado, as leis físicas funcionam, ao contrário do que se pensava antes, onde apenas os referencias inerciais eram válidos para tal fim. Mas vamos nos concentrar mais sobre o segundo postulado, ele nos afirma que independente de onde você esteja, independente da velocidade que se encontre, caso meça a velocidade da luz no vácuo, sempre encontrará um valor de aproximadamente 300 000 km/s. Bem e o que isso tem a ver com o tempo? Vejamos agora através de uma experiência usando a imaginação e um pouquinho de matemática básica.
Vamos imaginar a seguinte situação, eu sou o observador A e estou parado observando um trem que se desloca para a direita, você é o observador B e está dentro do trem, você possui em mãos um laser e aponta ele para um espelho que está preso ao teto do trem, você então dispara o raio na vertical e observa que ao chegar no espelho o raio é refletido de volta pra você. Você então vai me dizer que essa situação não traz nada demais, é apenas alguém dentro de um trem brincando de refletir raios em um espelho, será mesmo? Vamos observar isso com uma maior cautela.
Nesse caso nós temos 2 observadores: eu (o observador A) e você (o observador B), vamos descrever essa situação sobre as duas perspectivas, a minha e a sua. Primeiro vamos ver sob o seu ponto de vista, você me contará a história da seguinte forma: "eu estava parado dentro do trem, então emiti um raio na vertical contra o espelho preso no teto do trem, o raio seguiu na vertical, refletiu no espelho e retornou da vertical." Então para você temos que:
Ou seja, a sua velocidade é zero, pois você está parado em relação a você mesmo. Porém a luz se moveu, então podemos calcular a sua velocidade (c), pois sabemos o tempo que você mediu desde o momento que emitiu o raio até ele retornar (to) e sabemos a altura do trem (H).
Percebemos que a velocidade da luz (c) é igual ao dobro da altura do trem (pois ele sobe, bate no espelho e depois desce) dividido pelo intervalo de tempo que você mediu (to). Se isolarmos a altura do trem teremos:
Será que eu (observador A) estando fora do trem terei a mesma opinião que você (observador B) dentro do trem? Vamos analisar a seguinte figura:
Na figura podemos notar que eu estando de fora do trem perceberei diferente de você o fenômeno, primeiro porque no meu referencial você não está parado, mas está se movendo para a direita na mesma velocidade que o trem, portanto se considerarmos que o trem tem tamanho 2d, podemos achar sua velocidade (v) no tempo (t) que eu marquei do lado de fora.
Isolando o tamanho do trem, temos que:
Vimos que você estando dentro do trem pode estar parado ou em movimento, dependendo do referencial adotado. E a luz? Será que o raio provindo do laser terá uma descrição diferente no meu referencial (A)? Lembrando que no seu referencial (B) ele subiu e desceu na vertical. Ainda olhando a figura a seguir, vemos que a luz terá uma trajetória diagonal para o meu referencial, o que difere do referencial dentro do trem.
Se considerarmos que a diagonal que liga o piso ao teto do trem possui tamanho (L), podemos calcular a velocidade da luz (c) no tempo que eu medi (t) no referencial A:
Isolando a o tamanho da diagonal, temos que:
Com isso calculamos a altura (H), comprimento (d) e a diagonal (L) do trem, em função da velocidade da luz (c) e do trem (v) e dos tempos medidos pelo observador fora do trem (t) e dentro do trem (to).
Observando outra vez essa figura, percebemos dois triângulos retângulos equivalentes sendo formados, então podemos relacionar H, d e L pelo Teorema de Pitágoras.
Substituindo os valor de H, d e L temos que:
Dividindo ambos os lados por 4, chegamos que:
Agrupando do mesmo lado termos comuns:
Evidenciando o termo:

Dividindo ambos os lados por c²:
Separando em duas frações:
Percebam que um termo dividido por ele mesmo é 1.
Estraindo a raiz quadrada dos 2 lados:
Resolvendo a raiz quadrada:

Isolando o tempo no referencial A:
E então chegamos na equação que descreve o tempo que eu medi, em função do tempo por você medido, peceba que o tempo vai depender da velocidade que você se encontra no meu referencial, isso mesmo que você leu!!!!! O tempo depende da velocidade, ou seja, quanto mais rápido você estiver maior diferença existirá entre o tempo que você mediu e o tempo que eu medi. Por exemplo, se você viajar no trem a uma velocidade próxima da luz, passará para você alguns anos, enquanto que para mim podem-se passar dezenas, centenas e até milhares de anos!!!! Eis uma das muitas genialidades de Einstein, o tempo passa de forma diferente para dois corpos, estando com velocidades distintas. Citemos o famoso paradoxo dos gêmeos, onde 2 gêmeos idênticos aos 10 anos de idade são separados pelo destino, um deles João, entra em uma nave que viaja próximo a 300 000 km/s, enquanto seu irmão Pedro fica na Terra, esperando a volta do seu querido irmão. Após esperar 50 anos, Pedro já velho, observa a nave do seu irmão retornar e para sua surpresa, João estava apenas com 20 anos!!!! Isso nos mostra novamente como a velocidade dos corpos influenciam no tempo medido. Mas você pode perguntar, porque o tempo não passa diferente para uma pessoa que está correndo em relação a uma pessoa que está parada, e aí você tem outra surpresa, na verdade o tempo passa mais devagar sim para o corredor, a questão é que como a velocidade dele está muito longe da velocidade da luz, essa diferença de tempo não passa de uma pequeníssima fração de segundos, o que a torna imperceptível pelos nossos sentidos. Para que fique mais claro essa relação entre a velocidade da luz e a do corpo, vamos analisar as possíveis situações:
1)Essa é a situação que estamos acostumados no dia a dia, quando a velocidade nossa é muito menor que a da luz, caso isso aconteça na nossa experiência do trem, matematicamente temos que o tempo medido por mim e por você será praticamente o mesmo,
ou seja, não perceberemos diferenças relativísticas.

2)E o que aconteceria se nossa velocidade fosse maior que a da luz? A relatividade proíbe isso, é simples ver que se v for maior que c, teremos uma raiz quadrada negativa, o que não é possível, portanto, nenhum corpo pode viajar mais rápido que a luz.

3)Como não podemos ser mais rápidos que a luz, podemos imaginar então se somos capazes de alcançá-la, e a reposta novamente é não, se nossa velocidade for exatamente igual a da luz, chegaremos numa divisão por zero, o que novamente não é permitido, portanto, nenhum corpo pode atingir a velocidade da luz.

4)E se chegarmos infinitamente próximos a velocidade da luz? Nesse caso, quanto mais próximos da velocidade da luz, mais experimentaremos os efeitos da relatividade, no caso da nossa experiência quanto mais rápido o trem estivesse, mais devagar o tempo passaria para você no meu referencial, chegando ao ponto que dependendo da sua velocidade, se passariam 100 000 anos para mim e apenas 5 anos para você.
Ou seja, o tempo no referencial A será muito maior que no referencial B.

Eis a beleza da Relatividade de Einstein, e isso é apenas uma fração dela...além disso ela nos mostra a relatividade do comprimento dos objetos, da massa, a relação tempo-espaço, matéria-energia e de como a gravidade se comporta no espaço-tempo. Apesar de parecer absurdo pensar que o tempo e outras grandezas são relativas, é assim que o Universo funciona, mais uma vez a natureza nos surpreende e nos ensina que ela não depende das nossas vontades ou lógica, o fato de nós aceitarmos uma idéia que é senso-comum ou mais conveniente, não a torna verdade. Por isso, a cada dia a natureza me encanta mais e me faz compreender o quanto nossos desejos humanos e nosso mundinho são ilusórios, isso me faz pensar o quanto somos indiferentes para o cosmos, não há nada que nos coloque em situação de destaque, somos apenas uma parte minúscula dele, e a única coisa que podemos fazer é com esforço e deixando de lado nossos preconceitos e anseios, compreender um pouco do seu funcionamento tão assombroso e belo.




A luz que entrava pela janela

Lembro bem a minha infância, quando minhas duas janelas me mostravam o mundo. Tudo era tão claro e belo, podia por elas ver as cores da natureza, os raios de sol que até elas chegavam e as pessoas que passavam apressadas e desconfiadas. Como era azul o céu, branco o sorriso das crianças, verde as árvores e vermelhas aquelas flores, e tudo isso era possível porque pelas janelas a luz entrava sem nenhuma obstrução, apenas era preciso abri-las e deixar que a claridade chegasse e mostrasse toda a beleza que há lá fora. Cores e brilhos se misturavam em um tom tão intenso, tão nítido que só restava a contemplação, por horas não havia nada a ser feito senão observar, sem nenhum tipo de pensamento coerente vindo a mente, mas apenas a necessidade de ver, captar toda a essência de cada fóton que chegava pelas janelas, que estão arreganhadas esperando todas as partículas (ou ondas?) atravessarem e por elas passarem tendo apenas uma pequena resistência do ar, que imunda toda a casa, trocando com o meio externo diferentes gases e assim possibilitando que ela se matenha viva e gere energia para as janelas. Faróis refletores e refratores que iluminam meu caminho, fazendo com que eu ande com confiança, minhas balanças, que me trazem preconceitos e julgamentos mal formulados, que por vezes negligenciam os fatos, simplesmente pelo prazer que me traz, porque tanto sou seu refém? Porque por vezes dou menor importância as portas, ao alicerce, as paredes e ao telhado? Porque sigo sempre as janelas, que por vezes me traz decepção, ilusão e distorção? Parecia que não restava mais nada a fazer senão deixar que elas guiassem minha vida, passar o resto dos meus dias me baseando nas suas suposições imediatistas e uniformizadas. Porém um determinado dia o poder das janelas começou a falhar, as cores não eram mais tão vivas, as pessoas distorcidas e o mundo lá fora não tão claro, as janelas morriam....era preciso consertá-las, algo que as fizessem retornar ao que eram, pois não poderia viver sem elas funcionando. Ações paliativas através dos tempos iam sanando de forma geral o problema, mas comecei a perceber que elas nunca mais seriam as mesmas, a luz não passava agora como antes, as coisas não pareciam tão claras e simétricas como anteriormente, meu mundo não era o mesmo e nunca mais seria, as janelas estavam desgastadas para o resto da vida, só restava lamentar por perder a possibilidade de captar o mundo com tonalidade. Agora que as janelas não são tão cruciais na descrição das coisas, aprendi que as demais partes da casa podem me trazer mais verdades sobre as pessoas e as coisas, aqueles preconceitos e imagens fixadas como padrões foram sumindo, a descoberta que a captação da luz não é o objeto em si, me trouxe novas revelações sobre a realidade e profundidade sobre minhas considerações, apesar de não ver mais o mundo como 'ele é', descobri que na verdade ele 'nunca foi' o que eu enxergava 'como sendo'. A limitação e a dogmatização da formação de pensamentos através de apenas 2 ferramentas agora acabou, não me sinto mais preso a elas. Depois de mais de 10 anos sabendo que minhas janelas não têm volta, vejo as coisas com mais clareza que antes, mesmo que elas me revelem coisas distorcidas. Pois através de minhas paredes, portas, alicerce e telhado aprendi que a simples imagem não é a verdade ou mesmo revela o que são as coisas e os seres, ela apenas nos dá uma forma limitada de julgamento. Mesmo em alguns momentos sentindo saudades de ver com clareza o azul do céu, o branco do sorriso das crianças, o verde das árvores e o vermelho das flores, não trocaria a independência que hoje tenho das minhas janelas por nada, elas são partes importantes da casa, mas não formam mais isoladamente a minha percepção de mundo. Sei que aconteceu de forma involuntária o processo de degradação das janelas, mas cabe aqui o que Jesus disse: "Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno."




Recomendo a todos que puderem, a assistirem o documentário brasileiro 'Janela da alma', mostra muito bem o que é a visão, com profundas explanações de olftamologistas, poetas, escritores, filósofos, cientistas, míopes, cegos....garanto que será uma atividade enriquecedora.

O poema que eu queria escrever


Queria escrever um poema que falasse das minhas aflições, das aflições de todos aqueles que sofrem as dores do mundo, dos que sofrem de amor, de fome, de sede e de solidão.

Queria escrever um poema em que minha alma fosse revelada, e todas as vezes que você o lesse, me reconheceria em sua própria pessoa.

Queria escrever um poema que falasse de mim, mas falasse de você e todos os seres existentes, sejam eles vivos ou não.

Queria escrever um poema que cantasse canções de amor, de protesto e de sofrimento, e tocasse músicas apenas, sem nenhum canto.

Queria escrever um poema que falasse da minha busca, da minha inquietude e da necessidade que tenho da procura.

Queria escrever um poema que criticasse e humilhasse ferozmente a minha busca, caçoasse da minha cara por isso.

Queria escrever um poema em que mesmo sendo ridículo, me trouxesse a paz e findasse qualquer procura.

Queria escrever um poema onde tudo acontecia como sempre sonhei, onde não precisaria mais encontrar aquilo que eu já tinha.

Queria escrever um poema que fosse um espelho, onde todos veriam suas almas refletidas e conheceriam seus desejos mais profundos.

Queria escrever um poema onde as noites contigo são eternas, e nós apenas nos tornamos um, sem máscaras ou maquiagens.

Um poema em que dançamos de forma sacra todos os rituais indígenas para celebrar o sol, os animais e toda a natureza.

Um poema em que flutuando dançamos entre as nuvens o amor, que insistente acelera os nossos passos e nos faz perdermos pelo espaço.

Um poema que não seja compreendido por ninguém que não tenha o coração puro como de uma criança.

Um poema que nos faça delirar, nos entregarmos ao prazer de forma tão pura e verdadeira que não nos traga vergonha, mas confiança e cumplicidade.

Um poema em que somos apenas poetas, nada mais que líricos, idílicos e venturosos entre as palavras que exprimem aquilo que sentimos.

Um poema que grude em sua alma, como uma tatuagem no corpo, integrando sua pele e te marcando para que todos vejam.

Um poema que seja simples, humilde, mas que toque profundamente as crianças e os idosos, homens e mulheres.

Um poema que de tão absurdo faça sentido a você, e te traga para junto de mim nessas noites tenebrosas de primavera.

Um poema que mande você se afastar, mas que ao lê-lo você compreenda que quero que se aproxime de mim e nunca mais me deixe.

Um poema que seja escrito em uma língua que nunca existiu, nem existirá e mesmo assim se faça compreensível aos sensíveis.


Mas poeta não sou.
Sou insensível,
Duro e grosso,
Exato e frio.


Preciso de você para escrever esse poema.
Preciso de sua temperatura para aquecê-lo.
Preciso de sua doçura para compô-lo.
Preciso de seu odor para torná-lo agradável.
Preciso de seu sorriso para alegrá-lo.
Preciso do seu sarcasmo para ironizá-lo.
Preciso de suas mãos para sua caligrafia.
Preciso dos seus olhos para enxergar as letras.
Preciso de sua voz para recitá-lo.
Preciso de seus ouvidos para ouvir eu recitá-lo.
De toda sua força para trazê-lo à vida.
De sua sensatez para acalmá-lo.
De sua loucura para fazê-lo compreensível.
De suas histórias para enriquecê-lo.
De seus pensamentos para que ele faça sentido.
De sua calma para trazê-lo a paz.
De seu egoísmo para trazer identidade.
Das suas mentiras para iludi-lo.
De suas verdades para ensiná-lo.
Do seu amor para nos dar.


Quero apenas com você um poema.
Um poema que seja eterno,
Que nunca existiu
E que em nossos espíritos seja escrito.