segunda-feira, 27 de junho de 2011

O que se é

“Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança, desde que me tornei homem, eliminei as coisas de crianças” 
(Paulo - I coríntios capítulo 13, versículo 11)

Não é aquilo que se acredita
Nem mesmo o que se sente
É o que se é, e nada mais.
Em vão se constrói projetos,
Em vão percebe-se no centro,
Somos a periferia da galaxia.


Tudo é quantizado e descontínuo,
Pensamentos são eletricidade
Nada mais...não discuta!
É o que se é...a totalidade dos fatos.
Nossas aspirações são vãs,
Não se modifica o que é eterno.


Vaidades nos iludem,
Somos a periferia da galáxia,
Sentimentos são reações químicas.
Não é o que você acredita
Não é o que você sonha
É apenas o que se é.


Esqueça de tudo.
O nada nos espera,
O escuro e o vácuo nos aguardam.
Não temos nada.
Não é o que se sente
É apenas o que se é.



sexta-feira, 10 de junho de 2011

A águia

Sobrevoa-me, herdeira dos grandes répteis,
Óh! Filha nobre dos Accipitridaes.
Olhai-me penetrante do alto,
Chegue onde nunca poderei alçar.
Carregue minh'alma em tuas asas,
Supra esta visão frágil e limitada,
Míope de julgamentos tão ignóbeis.

Capture rasante o mais alvo coelho,
Não deixes o sangue inocente manchar-te,
Para tornardes um maculador como eu,
Cego e perdido no labirinto do Minotauro,
Buscando alçar voo inutilmente
Com meus membros raquíticos,
Lutando contra as leis físicas.

Eleva-te àquele monte!
Encontre o Velho com as tábuas,
Me traga as Dez Verdades de suas mãos.
Ajudai-me a não ser tão fútil,
Faça-me por um instante como tu,
Me arranque o gene do mamífero presente.
Óh! Preferida e adorada de Zeus.

És a virilidade e domínio da fêmea,
Imposição física de Hera,
Sábia Atena que nos faz prostrar,
Adorando suas penas impermeáveis
Que diante da morte nos surpreende,
Revivendo ao terceiro dia.
E, seu Espírito como ave desce.

Imponente dominadora, guia-me,
Como guiou as Legiões pelo mundo
E no ferro do escudo e da espada
Embainhou todo o Leste.
Tú que guiaste com bravura Mario,
Livrando o Império dos germânicos,
Preservaste até hoje tua semente.

Até a serpente é subjugada ante teu poder,
E se entrega às tuas mortíferas garras.
Inatingível é teu ninho para nós mortais,
Onde está a fonte que trouxe a vida.
Com teu bico incansável e insistente
Quebra toda a prisão que te cerca,
Para surgir com tua glória ao mundo.

Vai para o alto e do alto vêm.
Tu és o deus-Sol irradiante,
A alma dos xamãs que ruma aos espíritos,
A escolhida de Saladino.
Tão tolo eu, sonhando em ser tu.
Invejo-te, como a esposa a amante,
Óh! Brasão amedrontador de Ciro.

Vês infinitamente além de mim,
Mesmo apoiando-me em ombros de gigantes.
Tu és divina e imortal!
Por isso te imploro humildemente:
"Leve minh'alma em tuas asas,
Até o último dos infindáveis céus,
Não me deixe aqui entre a podridão."

Agora que estás no horizonte,
Nas altitudes himalaias,
Nos adornos dos xamãs.
Não se esqueças de mim,
Pois filho sou de todos os xamãs,
Minha mente sintoniza os tibetanos
E meu coração pulsa no horizonte.

Me visite esta noite nos sonhos,
Onde sou semelhante a ti
E podemos voar até a exosfera,
Longe de toda essa maluques primata.
E majestosa rainha, não me acorde,
Rogue a Hipnos por esse pobre ser
Que anseia apenas ser pássaro.