sexta-feira, 10 de junho de 2011

A águia

Sobrevoa-me, herdeira dos grandes répteis,
Óh! Filha nobre dos Accipitridaes.
Olhai-me penetrante do alto,
Chegue onde nunca poderei alçar.
Carregue minh'alma em tuas asas,
Supra esta visão frágil e limitada,
Míope de julgamentos tão ignóbeis.

Capture rasante o mais alvo coelho,
Não deixes o sangue inocente manchar-te,
Para tornardes um maculador como eu,
Cego e perdido no labirinto do Minotauro,
Buscando alçar voo inutilmente
Com meus membros raquíticos,
Lutando contra as leis físicas.

Eleva-te àquele monte!
Encontre o Velho com as tábuas,
Me traga as Dez Verdades de suas mãos.
Ajudai-me a não ser tão fútil,
Faça-me por um instante como tu,
Me arranque o gene do mamífero presente.
Óh! Preferida e adorada de Zeus.

És a virilidade e domínio da fêmea,
Imposição física de Hera,
Sábia Atena que nos faz prostrar,
Adorando suas penas impermeáveis
Que diante da morte nos surpreende,
Revivendo ao terceiro dia.
E, seu Espírito como ave desce.

Imponente dominadora, guia-me,
Como guiou as Legiões pelo mundo
E no ferro do escudo e da espada
Embainhou todo o Leste.
Tú que guiaste com bravura Mario,
Livrando o Império dos germânicos,
Preservaste até hoje tua semente.

Até a serpente é subjugada ante teu poder,
E se entrega às tuas mortíferas garras.
Inatingível é teu ninho para nós mortais,
Onde está a fonte que trouxe a vida.
Com teu bico incansável e insistente
Quebra toda a prisão que te cerca,
Para surgir com tua glória ao mundo.

Vai para o alto e do alto vêm.
Tu és o deus-Sol irradiante,
A alma dos xamãs que ruma aos espíritos,
A escolhida de Saladino.
Tão tolo eu, sonhando em ser tu.
Invejo-te, como a esposa a amante,
Óh! Brasão amedrontador de Ciro.

Vês infinitamente além de mim,
Mesmo apoiando-me em ombros de gigantes.
Tu és divina e imortal!
Por isso te imploro humildemente:
"Leve minh'alma em tuas asas,
Até o último dos infindáveis céus,
Não me deixe aqui entre a podridão."

Agora que estás no horizonte,
Nas altitudes himalaias,
Nos adornos dos xamãs.
Não se esqueças de mim,
Pois filho sou de todos os xamãs,
Minha mente sintoniza os tibetanos
E meu coração pulsa no horizonte.

Me visite esta noite nos sonhos,
Onde sou semelhante a ti
E podemos voar até a exosfera,
Longe de toda essa maluques primata.
E majestosa rainha, não me acorde,
Rogue a Hipnos por esse pobre ser
Que anseia apenas ser pássaro.