"Bom dia: eu dizia à moça
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ele nem me respondia.
Em vão a fala dos olhos
e dos braços repetia
bom-dia a moça que estava
de noite como de dia
bem longe de meu poder
e de meu pobre bom-dia"
que de longe me sorria.
Bom dia: mas da distância
ele nem me respondia.
Em vão a fala dos olhos
e dos braços repetia
bom-dia a moça que estava
de noite como de dia
bem longe de meu poder
e de meu pobre bom-dia"
(Carlos Drummond de Andrade)
Boa noite...boa noite, dizia eu aquela moça.
Boa noite...boa noite, a moça me dizia.
Moça, dizia eu - não se vá...ainda é cedo, há tempo de prosearmos.
Mas moça retirava-se.
Boa noite...boa noite, dizia que aquela moça.
Boa noite...boa noite, a moça me dizia.
Moça, dizia eu - como vai? Moça respondia de forma eufórica,
Então moça comigo conversava.
Moça autêntica, de muitas palavras - o que foi moça?
Moça não gosta que eu assim a chame.
Será que não lhe chamam moça por aí?
Moça...moça...moça...fale comigo...onde está você?
Moça me conta detalhes de sua vida: seu cotidiano.
Ela me diz coisas...coisas que gosto de ouvir.
Moça desinibida, moça que se solta,
Me diga moça, prefere que lhe chame pelo nome?
Nossa conversa vai e vem,
Oscila entre pensamentos, devaneios e desejos.
Tem um ar de mistério e descontentamento,
Moça me esconde coisas que não ouso perguntar.
Moça és graciosa, és educada, és amiga...és mulher.
Moça só não és minha!
Ela aparece e vai, como um raio de luz,
Um relâmpago rasgando a escuridão.
Moça, não sei porquê moça e não seu nome
Já que belo ele é, então evoco Moça.
Simplesmente Moça, que és tanta coisa.
Ô doce Moça, morena Moça, eterna Moça.
Boa noite...boa noite, dizia à Moça.
Boa noite...boa noite, Moça me dizia.
Moça, dizia eu - não se vá, ainda é cedo, há tempo de prosearmos.
Mas Moça retirava-se.