domingo, 3 de abril de 2011

Minhas considerações sobre a beleza

"Ó beleza! Onde está tua verdade?"

"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla."



O belo é algo mutável através dos tempos, principalmente por influências culturais, sociais, econômicas, religiosas, climáticas e tantas outras. Sabemos ainda, que mesmo existindo um determinado padrão seguido em um determinado tempo-espaço, não há na localidade que se segue tal padrão um consenso geral, então podemos afirmar que dentro de certo aspecto, a idéia de beleza toma proporções individuais, onde cada qual atribui aos objetos a sua 'beleza'.
Tomando esta perspectiva individual, vemos como os padrões que temos por universais sobre a beleza caem por terra. Infelizmente parte considerável das pessoas ainda acreditam que a percepção do belo é algo imutável e universal, que todos compartilham os mesmos gostos ou na melhor das hipóteses, percebem o relativismo sobre o tema, porém consideram as demais percepções inferiores a sua, o que é muito triste. Minha intenção no texto é colocar meu ponto de vista acerca da beleza e suas conexões, e procurar mostrar o quanto ainda somos prematuros na compreensão do processo em diversas circunstâncias.
A questão mais complicada disso, eu entendo como sendo entender como se dá a percepção da beleza por nós, sem se atermos aos processos químicos que ocorrem no cérebro ao fazer a associação do objeto com o conceito de belo, podemos afirmar que a percepção do objeto está no cerne da questão, então nossos sentidos desempenham um papel fundametal. Podemos ver um quadro e achá-lo 'bonito', sentir o cheiro de uma flor e achar 'bom', ouvir uma música e dizer que ela é 'bonita'. A sensação então que temos diante de algo é que determinará o que nosso cérebro decodificará como sendo belo.
Bem, diante do exposto pretendo mostrar que não faz sentido querermos impôr uma idéia de beleza sobre outra, todas equivalem, a sua percepção é apenas uma dentre as várias existentes e apenas o fato dela ser 'sua' é que faz com que acredite que ela seja melhor que a do 'outro'. Voltando a questão cultural, somos ultimamente acostumados tanto com determinados valores estéticos, que automaticamente já não aceitamos 'formas estéticas' de uma outra cultura que tenha divergência com a nossa. É preciso transcender isso, e percebemos todas as variações como uma riqueza da espécie e em pé de igualdade, nem termos a sensação de horror ou de inferioridade das manifestações estéticas diante delas. A seguir quero mostrar alguns padrões de beleza existentes pelo mundo, onde esses indivíduos apresentam grande beleza entre suas comunidades e são aqueles que mais tendem a terem chances de parceiros, causando maior atração no sexo oposto e inclusive sendo exemplos a serem atingidos pelos demais.




Achou feio? Bem, pode ser pra você e seus valores, mas para os valores estéticos desses povos, você acabou de ver as formas mais belas que um ser humano pode ter, principalmente no caso das mulheres nas fotos, elas são almejadas pelos homens e 'sonho de consumo' da comunidade masculina da tribo. Antes de criticar quando se depara com algo assim, pense o seguinte....'será que se você tivesse nascido no mesmo local que eles, não acharia as mulheres com esses padrões belas; e mulheres como a Cicarelli, por exemplo, como sendo desprovidas de beleza?'.
Se consegui te fazer refletir a respeito e questionar a idéia de universalidade da beleza e de imutabilidade da mesma, me dou por satisfeito. Não quero que mude o que acha feio ou belo, apenas quero que perceba que não há graus de beleza ou superioridade de uma concepção sobre a outra. Mas, o que pretendo discutir ainda é sobre nossa supervalorização da visão para perceber a beleza que atribuímos as pessoas e em como fazemos julgamentos mediante isso.
Hoje somos frutos de um 'bombardeio' da mídia e das grandes corporações, onde desde a infância somos adestrados e então somos conduzidos a um padrão de beleza, então passamos a associar pessoas contendo esse padrão como boas, melhores, aquelas que nos trarão felicidades e coisas do tipo, enquanto que, aquelas que não apresentam relação com esse padrão, tratamos em segundo plano, como se fossem inferiores as outras. Daí é que mora o perigo, isso gera exclusão, preconceito e principalmente faz com que as pessoas comecem a correr feito loucas para chegar o mais próximo possível do 'belo'.
Queremos por tudo comprar produtos que nos deixem 'bonitos', fazer cirurgias, vestir roupas, calçar sapatos, usar coisas que nos façam 'belos'. Então iniciamos uma corrida de vaidade desenfreada buscando isso, nos tornando vazios e tolos, pois não é possível impedir que a natureza com suas leis trabalhem, por mais que tentemos a velhice (que hoje é tida como 'feia' por muitos) é inevitável, mesmo com plásticas, produtos ela virá e ainda, tudo o que você tenta manter será transformado quimicamente, não restando nada do que cultivou durante sua vida.
Precisamos superar isso e começarmos a nos apegarmos a coisas mais importantes na valorização do indivíduo, como o caráter, compromisso, inteligência, sinceridade, altruísmo, identidade, criatividade.... E a partir disso pesar na balança para definir o que temos por belo. Vejo que temos uma idéia muito primitiva de beleza, baseada nas imagens que nos são colocadas, então comparamos essas as pessoas ao nosso redor para aferirmos seu 'grau de beleza', e então fazemos julgamentos em todos os aspectos baseados nessa 'medida'. Lamento muito viver nessa época, onde os padrões estabelecem relações financeiras, sexuais, de amizades e até mesmo de caráter, triste isso....onde temos na condição humana tantas coisas nobres para serem padrões de 'medida' de beleza, mas prefirimos nos 'empobrecer' e fazermos nossas escolhas baseadas em apenas um padrão, que é tão mutável e de pouca duração, como vimos.
Deixo aqui minha admiração a todos que percebem o que eu disse e se baseiam em coisas mais profundas para atribuírem beleza a alguém, em especial as mulheres que se libertaram disso, pois são as mais 'bombardeadas' com esses padrões.